Levantamento do Instituto França, realizado em todo o país entre 26 e 30 de dezembro, com 2.401 entrevistas por telefone, indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou o ano com desaprovação superior à aprovação. Esse quadro se reflete diretamente em cenários eleitorais mais apertados para 2026. Segundo a pesquisa, que tem margem de erro de 2 pontos percentuais, 51,3% desaprovam o governo, enquanto 40,7% aprovam, configurando um saldo negativo que amplia os desafios do Planalto na estratégia de reeleição.
Na avaliação do trabalho do governo, o quadro é ainda mais desfavorável: 49,8% dos entrevistados atribuem uma avaliação expressamente negativa (ruim ou péssima). Já as avaliações expressamente positivas (ótimo ou bom) permanecem minoritárias, somando 27,7%. Outros 17% classificam a gestão como regular. O resultado indica que Lula entra no ciclo de 2026 com vantagem competitiva no plano eleitoral, mas sob um ambiente claro de desgaste, com espaço relevante para a oposição avançar sobre o eleitorado crítico ao seu mandato.
Sucessão presidencial
No voto espontâneo, quando o eleitor responde sem receber lista de candidatos, Lula lidera o recall nacional, com 19,2%, seguido por Jair Bolsonaro (8,3%) e Flávio Bolsonaro (3,4%). Apesar da liderança, o dado mais relevante é o elevado grau de indefinição: 56,8% dos entrevistados afirmam não saber em quem votariam para presidente se a eleição fosse hoje. Um sinal de que a eleição presidencial ainda não começou de fato na cabeça do eleitor.
O cenário estimulado de primeiro turno indica que Lula lidera a corrida, porém sem maioria absoluta, com 35,4% das intenções de voto. Ele é seguido por Flávio Bolsonaro, que soma 23,9%. Os demais nomes aparecem bem atrás: Ratinho Júnior (6,5%), Romeu Zema (5,9%) e Ronaldo Caiado (5%).
Já nas simulações de segundo turno, Lula aparece numericamente à frente em todos os confrontos testados, mas com margens relativamente estreitas na maioria deles:
- Contra Tarcísio de Freitas (Republicanos): 42% a 40,4%, empate técnico
- Contra Flávio Bolsonaro (PL): 42,5% a 38,4%
- Contra Michelle Bolsonaro (PL): 42,1% a 37,9%
- Contra Ratinho Júnior (PL): 43,4% a 37,6%
- Contra Romeu Zema (Novo): 42,3% a 36,4%
- Contra Ronaldo Caiado (União Brasil): 43,4% a 36,8%
- Contra Eduardo Leite (PSD): 43,9% a 35,8%
- Contra Renan Santos (Missão): 45,3% a 25,7%
Em síntese, a pesquisa reforça a leitura de que Lula mantém o favoritismo, mas entra no ciclo eleitoral sob desgaste consistente e sem margem de conforto, em uma disputa que tende a ser definida tanto pela força do governo quanto pela capacidade da oposição de se organizar em torno de uma alternativa viável.
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