O sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltou a ser manipulado na última terça-feira (20). Desta vez, houve a tentativa de expedição de mandados de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O caso foi confirmado pelo CNJ nesta quinta-feira (22).
Os mandados não chegaram a ser efetivamente expedidos, foram apenas modificados. De acordo com o CNJ, houve uma "substituição indevida de dados vinculados a um mandado judicial por dados associados a autoridades brasileiras".
O órgão nega que tenha havido invasão do sistema e afirma que dados pertencentes a usuários de tribunais foram usados de forma indevida "em decorrência de roubo de credenciais". Também negou violação ou comprometimento dos sistemas do CNJ.
"A alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas. O incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos", afirmou em nota (veja íntegra)
O g1 entrou em contato com a Presidência da República e o STF, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
A maneira como ocorreu a manipulação dos dados se deu da mesma forma como foram expedidos alvarás de soltura fraudados que permitiram que quatro detentos do Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte, fugissem pela porta da frente da prisão em 20 dezembro (entenda o caso aqui e leia mais abaixo).
Naquela ocasião, o CNJ também negou que tivesse havido invasão ou falha estrutural, e também atribuiu os alvarás de soltura manipulados ao "uso fraudulento de credenciais", ou seja, login e senha, obtidos de forma ilícita.
Quadrilha invadiu sistema do CNJ em dezembro
Polícia Civil de Minas prende integrantes de quadrilha que forjaram os próprios alvarás de soltura
No último dia 14, a Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, no Rio de Janeiro, o líder de uma organização criminosa especializada em acessar de forma ilegal o sistema do Judiciário. Não há informações que apontem que a o grupo tenha relação com a nova tentativa de invasão do sistema do CNJ.
Ricardo Lopes de Araujo era um dos quatro criminosos que deixaram o presídio em BH pela porta da frente. Matheus Filipe do Nascimento Silva, que estava no mesmo imóvel que Ricardo, também foi preso. Ele é apontado como principal operador da fase final do esquema, para lavagem do capital obtido de forma ilícita.
Segundo as investigações, a organização criminosa usava credenciais, ou seja, logins e senhas, de juízes para acessar o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Além da emissão fraudulenta de alvarás de soltura, os criminosos são investigados por alteração de mandados de prisão, desbloqueio de valores retidos pela Justiça e liberação de veículos apreendidos.
Veja íntegra da nota do CNJ:
"O Conselho Nacional de Justiça identificou alteração indevida em dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). A alteração consistiu na substituição indevida de dados vinculados a um mandado judicial por dados associados a autoridades brasileiras.
A apuração da Divisão de Segurança da Informação do Conselho indicou que as ações foram realizadas por meio de credenciais de acesso comprometidas, pertencentes a usuários de tribunais, em decorrência de roubo de credenciais, utilizadas de forma indevida no sistema. Não houve invasão, violação ou comprometimento dos sistemas do CNJ. A alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas. O incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos."
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