O Brasil registrou, em setembro, um recorde histórico de inadimplência: 84,2 milhões de pessoas estavam com contas em atraso, o maior número desde que a Serasa começou a acompanhar o indicador, em 2016.
O total representa 51,1% da população adulta brasileira. É a primeira vez que o percentual ultrapassa a marca de metade dos cidadãos em idade de assumir compromissos financeiros.
Os dados fazem parte do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. Ao todo, as contas vencidas somam R$ 597,4 bilhões, uma alta de 0,90% em relação a agosto. São 352,7 milhões de pendências registradas, o equivalente a uma média de 4,2 dívidas por pessoa inadimplente.
Em média, cada devedor acumula R$ 7.093,83 em obrigações não quitadas. Já o valor médio de cada dívida é de R$ 1.693,68.
Crescimento continua, apesar da desaceleração
Na comparação com setembro de 2025, o número de inadimplentes aumentou 6%. Desde 2020, a alta acumulada chega a 34,17%.
Segundo a Serasa, o ritmo de crescimento começou a desacelerar em abril deste ano. Apesar disso, o número de brasileiros com contas atrasadas continua aumentando.
A diretora da empresa, Aline Maciel, destacou que, mesmo com a perda de ritmo, o país alcançou o maior índice de inadimplência da série histórica.
Financeiras ultrapassam contas básicas
O levantamento também aponta mudanças no perfil das dívidas. Cartões de crédito e bancos continuam liderando, concentrando 27,16% do valor total devido.
Uma das principais mudanças aparece na segunda posição: pela primeira vez, as financeiras ultrapassaram as contas de água, luz e gás, alcançando 20,66% do total.
No levantamento anterior, as financeiras representavam 20,14%, enquanto as contas básicas correspondiam a 20,71%. Em setembro, essa participação caiu para 20,32%.
O resultado indica o aumento da participação dos débitos com instituições financeiras no cenário da inadimplência brasileira.
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