O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro.
Em caso de condenação, a pena de Cariani pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade.
Em nota enviada ao g1, a defesa dele afirmou que o pedido do Ministério Público "não representa nenhuma surpresa" e que vai demonstrar, "com base na prova produzida ao longo da instrução", que as teses de acusação são improcedentes (leia íntegra abaixo).
Além de Cariani, a promotoria pede a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes.
"Considerando o acolhimento integral do pedido acusatório, com a condenação por associação para o tráfico, por 59 crimes de tráfico de insumos e por 59 crimes de lavagem de dinheiro, a pena poderá variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão para cada réu, além das multas, desde que reconhecidas a continuidade delitiva nas duas últimas séries e o concurso material entre os três grupos, sem outras causas de aumento ou diminuição", explicou o advogado criminalista Anderson Almeida.
Almeida explicou que o cálculo considera o aumento de dois terços da pena pela continuidade delitiva, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e ressaltou que a pena máxima estimada não se confunde com o limite legal de cumprimento de pena, de 40 anos, previsto no artigo 75 do Código Penal.
Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, que em dezembro de 2023 desmontou um esquema que desviava produtos químicos para produção de drogas.
Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), por 59 vezes a empresa de Renato Cariani simulou a venda de produtos para empresas que não tinham pedido os produtos e ele mesmo simulou pedidos fictícios para justificar os desvios.
Renato autorizou a separação e a retirada fora do expediente, em 26/02/2018, de produtos faturados à empresa ASTRAZENECA (100 litros de éter etílico e 50 kg de cloridrato de lidocaína). [...] Ele forneceu à Polícia Federal comprovantes de retirada com placas, documentos e habilitações falsos, que ele próprio declarou estarem ‘arquivados’. E, tal qual explícito de seu aparelho celular, agiu para subverter a fiscalização, aproximando-se de policial civil responsável pela fiscalização e induzindo o arquivamento de expediente investigativo antecedente.
— apontaram os promotores na denúncia apresentada.
Segundo o Gaeco, mensagens extraídas do celular de Cariani indicam que ele mantinha uma relação muito próxima com o policial civil Anadré Dziuba, vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos usados para refino de drogas.
Renato recebia informações acerca de diligências realizadas pelo policial, opinava sobre determinadas situações e chegava a indicar ou sugerir empresas que poderiam ser objeto de fiscalização, fato que, segundo o Gaeco, “evidencia que ele atuava para proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes que vendiam produtos químicos”.
“As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, respondeu que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”, diz o Gaeco.
“As mensagens do celular de Renato exteriorizam que ele sabia do controle pífio das retiradas da própria empresa”, argumentam os promotores.
O que diz a defesa do influenciador
Por meio de nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, diz “receber com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público”.
“Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes”, disse Romani.
“Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, declarou.
O g1 também tenta contato com a defesa de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.
Apesar de pedir a condenação dos três réus, o Gaeco pediu à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira, que também foram citadas nas investigações da Polícia Federal.
Entenda investigação da PF
Fábio e Cariani. — Foto: Reprodução
As investigações contra a empresa começaram em 2019, quando a farmacêutica AstraZeneca procurou o Ministério Público para informar que a Anidrol, empresa do influencer, emitiu notas fiscais no ano de 2017 referentes a movimentações de produtos químicos que não reconhecia como suas.
Fábio seria um dos responsáveis por realizar, em 2019, depósitos em espécie na conta da Anidrol sob responsabilidade da AstraZeneca.
Segundo as investigações, Fábio Spínola criou um falso e-mail em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca, com quem a empresa de Cariani teria negociado a compra dos produtos.
Além de ser também responsável pela venda dos produtos químicos, Fábio é apontado como intermediador no fornecimento das substâncias, sendo o elo entre a empresa e os compradores de crack e cocaína.
Spínola era quem direcionava e negociava a entrega dos produtos químicos para o tráfico de drogas.
Como funciona o esquema de desvio de produtos químicos. — Foto: Arte/ g1
Quem é Renato Cariani, influencer do mundo fitness alvo de operação da PF
Renato tem mais 11 milhões de seguidores no Instagram e 8 milhões de seguidores no canal do YouTube. Os vídeos relacionados ao mundo da dieta e do culto ao corpo acumulam 1 bilhão de visualizações.
Nas redes sociais, ele se apresenta como professor de química, professor de educação física, atleta profissional, empresário e youtuber.
Influencer fitness Renato Cariani — Foto: Reprodução/Instagram/@renato_carian
FONTE/CRÉDITOS: Por Rodrigo Rodrigues, Gustavo Honório, g1 SP — São Paulo
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